Por toda a aldeia a presença dos Caretos é notória. Exemplo, é esta fonte reconstruída em 2018 e adornada com este painel cerâmico do Arq. Duarte Saraiva.
Varge é conhecida pela sua tradicional festa dos rapazes, palco de uma das formas de Caretos mais notáveis da região transmontana.
Acontece todos os anos durante o solstício de Inverno. Entre os dias 24 e 26 de dezembro, os jovens da aldeia reúnem-se para celebrar uma das mais emblemáticas tradições populares portuguesas.
Aqui, não há Natal sem caretos e Festa dos Rapazes.
Vivem intensamente esta época com um enorme orgulho na sua cultura e nas suas tradições. É um misto de honra, de dedicação e de respeito pelas suas origens.
Não se sabe ao certo qual a origem desta tradição, mas acredita-se que tem origens pagãs celtas, embora misturadas com outros rituais romanos. Apesar de se celebrar no Natal e até incluir missas, a sua origem nada tem de cristão. Para os Caretos era um ritual de passagem para a idade adulta.
A Festa dos Rapazes inicia-se antes da época natalícia. Todos os anos, no dia 1 de novembro, Dia de Todos os Santos, os rapazes solteiros da aldeia juntam-se para irem ao monte comunitário recolher lenha que depois é leiloada. Parte do valor apurado fica para os rapazes que tiveram o trabalho duro de apanhar a lenha, a outra parte para a realização de missas das almas.
Assim começa o ciclo de inverno e é a partir desta data que principiam oficialmente as preparações para a Festa dos Rapazes. A partir de dezembro, os rapazes solteiros reúnem-se todos os fins de semana para fazerem rondas pelas adegas de cada um, acompanhados de músicos (gaita, caixa e bombo). Estas reuniões servem para elaborar as loas, que são versos em forma de crítica aos acontecimentos e condutas de pessoas da aldeia durante o ano. As loas são acompanhadas de pequenas representações cómicas, mas ninguém pode levar a mal o comportamento dos caretos ou as suas loas.
Os caretos espalham o caos e a desordem por Varge, saltando, gritando e rindo ao som dos seus chocalhos e de um gaiteiro acompanhado por bombo e caixa. A palha é atirada ao povo, a água das fontes é espalhada e os animais são provocados. A atmosfera transforma-se e cria-se a sensação de um mundo sobrenatural onde até o frio parece desvanecer.
O dia termina com a corrida das roscas, um doce típico que é transportado pela aldeia na vara dos mordomos. Depois da ronda pelas casas da povoação, durante a qual os mordomos desejam as Boas Festas a todas as pessoas, as roscas são leiloadas e o comprador desafia alguém que corra contra ele numa corrida de cerca de 100 metros.
No dia 26 de dezembro, todos os rapazes que participam na festa têm de estar presentes quando o gaiteiro começar a tocar às 6h da manhã, sob pena de serem atirados ao rio caso se atrasem.
Pagam o pequeno-almoço que consta de aguardente, jeropiga, figos e frutos secos. É um dia mais solene, sem caretos, comemora-se o Santo Estêvão, padroeiro dos rapazes, e há uma missa em sua honra. Depois, escolhem-se os novos mordomos que têm como primeira tarefa convidar as raparigas a jantar a fim de se redimirem das ofensas das loas.
Apesar do despovoamento que afeta muitas aldeias do interior de Portugal, como Varge, de 24 a 26 de dezembro os jovens daqui oriundos regressam a casa para participar nesta festa. Ver maisVer menos
Conteúdos da responsabilidade de União das Freguesias de Aveleda e Rio de Onor
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